EMPRESAS E PROFISSIONAIS DO NORTE DE PORTUGAL E DA GALIZA ESTUDAM O APROVEITAMENTO DE RESTOS DA VINHA, ARBUSTOS E KIWI PARA COMBUSTÍVEL

A 2ª reunião da Rede Transfronteiriça BIOMASA-AP terá lugar no auditório da CIM Cávado, no dia 23 de Maio

 

A Rede Transfronteiriça BIOMASA-AP reúne-se no próximo dia 23 de Maio, na sede da CIM Cávado, pela segunda vez desde o arranque do projeto, para discutir o potencial energético da biomassa. Nesta jornada participarão responsáveis de empresas e profissionais da biomassa, aos quais se tenta colocar em contato para favorecer intercâmbios, tanto à escala de investigação como de negócios.

O projeto dispõe de um financiamento de mais de dois milhões de euros e conta com nove parceiros, quatro pertencentes ao Norte de Portugal e cinco provenientes da Galiza. Esta sessão é coordenada pela Fundação Empresa – Universidade Galega (FEUGA)

Os especialistas nesta matéria, que realizaram o primeiro encontro em Santiago de Compostela, valorizam a experiência como forma de potenciar o meio rural como modelo de negócio. Garantem também que na Península Ibérica só se aproveita cerca de 30% a 40% do potencial da biomassa, em comparação com outros países europeus onde este aproveitamento sobe para 60% a 70%. São unânimes em pedir a redução das barreiras burocráticas tanto em Portugal como em Espanha para impulsionar esta atividade.

O aproveitamento de restos da vinha, arbustos e kiwi para combustível antes de ser transformado em pellets, é um dos objetivos do projeto transfronteiriço que desenvolvem centros de I&D&i do Norte de Portugal e da Galiza.

Com a primeira fase do projeto finalizada, na Euro Região existem cerca de um milhão de hectares de superfície com massas de arbustos sem arvoredo, das quais se contabilizam 47% no norte de Portugal e 53% na Galiza. Dentro das áreas com maior concentração de arbustos estão as zonas de Trás-os-Montes e Alto Douro, no norte de Portugal e as províncias de Ourense e Lugo, na Galiza.

Os especialistas salientam que até ao momento “a vinha tem proporcionado resultados interessantes e esperamos também bons resultados do tojo”. O kiwi é o que mais dificuldades levanta mas continuar-se-á a experimentar diversas composições. Os técnicos consultados, tanto de empresas do Norte de Portugal como da Galiza, examinam diferentes parâmetros como a sujidade que este tipo de biomassa deixa nos tubos ou a formação de escórias no fundo das caldeiras, elementos determinantes da eficácia da produção calórica.

O projeto denominado “Biomasa-AP” estima que a possibilidade anual de aproveitamento da região Norte de Portugal-Galiza possa atingir 1,5 milhões de toneladas de biomassa em estado verde, que equivaleria energeticamente a mais de 341.000 TEP (toneladas equivalentes de petróleo).

A abertura da sessão estará a cargo de Benjamim Pereira, presidente da Direção da Agência de Energia e Ambiente do Cávado. Igualmente está prevista a participação de representantes da Energylab, da Agência Galega de Indústria Florestal, do INEGI e da Universidade de Vigo, bem como da Ecotoro Energia, LRB Consultores, Universidade do Minho e FMC Florestal, entre outras empresas e organismos. A reunião terá início às 9.45 horas.

Agenda: Agenda BiomasaAP 23 Maio